O senador projetou a sigla como uma força nacional “de centro social”, equilibrada entre polarizações
Em entrevista ao programa Central de Política, apresentado por Neto Terra Branca na Rádio Interativa, no último sábado (12), o senador Otto Alencar (PSD) destacou os eixos da atuação do partido no Congresso, reafirmou o apoio à reeleição do presidente Lula e criticou a atual dinâmica das eleições bienais no Brasil. A fala do parlamentar, que também preside a CCJ do Senado, abordou ainda a defesa de reformas políticas.
Otto Alencar foi enfático ao declarar que o PSD baiano manterá o apoio a Lula, descartando qualquer alinhamento com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cogitado como pré-candidato à presidência. “Escrevam com todas as letras: Lula candidato, o PSD da Bahia vai apoiar Lula. Não tenho dúvidas”. O senador negou conversas sobre integrar uma chapa nacional como vice de Tarcísio.
Na esteira do avanço da legenda no estado, ele revelou o convite recente feito à primeira-dama Andrea Castro, esposa do prefeito Augusto Castro, reeleito em Itabuna, para se filiar ao partido e concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). “Nós vamos ajudá-la a conquistar esse mandato. O PSD fortalece muito a representação da mulher”.
Num momento da entrevista, quando Alcântara Pellegrini, presidente do PSD Itabuna que acompanhava o programa mencionou estar em contato com três importantes prefeitos, foi feita a pergunta ao senador: “Esses prefeitos virão para o PSD?”. A resposta foi objetiva: “Vamos articular”. Na oportunidade, Otto reafirmou o apoio à reeleição de Ângelo Coronel, mas admitiu diálogo com o ministro Rui Costa, também interessado em uma vaga no Senado.
Ainda de olho no pleito do ano que vem, o senador assegurou montante expressivo de recursos para o estado da Bahia. “Quando abrir em atrássto [após o recesso], uma das primeiras coisas que eu vou fazer na Comissão de Assuntos Econômicos é aprovar 150 milhões de dólares para colocar em estradas e infraestrutura.”
Como relator da PEC que propõe o fim da reeleição para cargos executivos e eleições a cada quatro anos, em vez de dois, Otto Alencar sustenta a mudança como forma de garantir governabilidade: “O Brasil não aguenta. É angustiante para um presidente ou governador trabalhar sob pressão permanente de campanha”. A PEC, aprovada na CCJ, aguarda votação no plenário do Senado.
Questionado acerca do aumento do IOF, afirmou que a solução passará por negociações mediadas pelo STF e destacou alternativas em debate, como a redução de subsídios a grandes empresas e a isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil.
O senador aproveitou o espaço e teceu críticas contundentes à ideia de anistia às pessoas envolvidas nos ataques de 8 de janeiro. “Quem atenta contra a democracia deve responder na Justiça”. Sobre as tarifas impostas por Donald Trump aos produtos brasileiros — que atribuiu à influência do filho de Jair Bolsonaro nos EUA —, Otto comentou que a medida não se sustentará por muito tempo.

