A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta terça-feira (15) revela uma mudança no cenário político após a imposição de tarifas de 50% pelo presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros. O levantamento, realizado entre 11 e 13 de julho com 2.841 entrevistados, mostra que a desaprovação ao governo Lula recuou de 51,8% em junho para 50,3% atrásra, empatando tecnicamente com a aprovação, que subiu de 47,3% para 49,7%. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
A reação do governo brasileiro à medida de Trump parece ter influenciado essa pequena recuperação. O presidente americano justificou a taxação citando suposta “perseguição política” a Jair Bolsonaro, alvo de investigação por tentativa de golpe. A Procuradoria-Geral da República (PGR) chegou a pedir a condenação de Bolsonaro no caso. Lula reagiu com críticas duras, defendendo a soberania nacional e acusando Bolsonaro e seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), de articularem a medida com Trump.
A maioria dos entrevistados (62,2%) rejeita a justificativa do chefe da Casa Branca, enquanto 36,8% a apoiam. Entre as razões apontadas para a taxação, 40,9% acreditam que se trata de retaliação à participação do Brasil nos BRICS, 36,9% atribuem à influência da família Bolsonaro e 16,8% citam decisões do STF sobre redes sociais.
A percepção sobre a soberania nacional também aparece nos números: 50,3% consideram que a medida de Trump ameaça a autonomia do Brasil, contra 47,8% que discordam. Quanto à reação do governo Lula, 44,8% a consideram adequada, 27,5% a veem como agressiva e 25,2% como fraca.

Apesar da tensão, quase metade dos entrevistados (47,9%) acredita que o governo conseguirá negociar um acordo com os EUA para reduzir as tarifas, enquanto 38,8% duvidam dessa possibilidade. Já 51,2% defendem que o Brasil deveria retaliar os Estados Unidos, seja aumentando tarifas sobre produtos americanos, reforçando laços com rivais dos EUA, como a China, ou reduzindo a dependência do dólar.
Na avaliação geral do governo, os números mostram que 49,4% consideram a gestão Lula “ruim” ou “péssima” (ante 51,2% em junho), enquanto 43,4% a veem como “ótima” ou “boa” (ante 41,6%). A política externa é um dos pontos fortes, com 60,2% de aprovação, e 61,1% consideram que Lula representa melhor o Brasil no exterior do que Bolsonaro.
No entanto, parte significativa dos entrevistados enxerga relações excessivamente próximas com governos autoritários: 49% acham o vínculo com a Venezuela mais próximo do que deveria, 46% pensam o mesmo sobre o Irã e 45% em relação a Cuba. Já as relações com China (51%) e Rússia (53%) são vistas como equilibradas.
O alinhamento internacional do Brasil também divide opiniões: 38,1% preferem aproximação com os BRICS, contra 31,1% que defendem prioridade aos EUA. A tendência mostra uma valorização crescente de parcerias com China e União Europeia, refletindo o impacto das recentes tensões comerciais com os americanos.

Com informações do Jornal Gazeta do Povo

