Equipamentos estão sendo abandonados em valas, jogados de ponte, usados na areia da praia e até enterrados
A implantação dos patinetes elétricos em Ilhéus, apresentada como um avanço na mobilidade urbana, tem sido maculada por uma série de atos de mau uso, vandalismo e pura falta de educação por parte de uma parcela dos usuários. Cenas que circulam nas redes sociais e relatos dos operadores do serviço revelam uma realidade preocupante: o equipamento, que deveria ser uma solução, está se tornando um problema de conservação do patrimônio, segurança pública e civilidade.
Os registros são diversos e alarmantes. Há vídeos que mostram patinetes sendo jogados da ponte, abandonados em valetas e deixados em zonas distantes da área urbana – fato que obriga equipes da empresa JET a longos deslocamentos para resgate. Outros evidenciam uso claramente proibido e perigoso, como pessoas pilotando na areia da praia, transportando dois patinetes em cima de um único, sofrendo quedas no meio do tráfego e até sentando-se em cadeiras de praia apoiadas sobre o veículo.
A brincadeira, entretanto, tem custo. De acordo com um eletromecânico da JET que atua na cidade, o contato dos patinetes com a areia da praia já inutilizou completamente pelo menos cinco equipamentos. Além do prejuízo material, o uso indevido gera riscos concretos. A mistura de patinetes – que, por lei, devem circular preferencialmente em ciclovias ou, na falta delas, com extrema cautela na borda da pista – com o tráfego intenso de veículos no centro da cidade, que “não foi projetada para isso”, como apontam críticas, é uma receita para acidentes.

A imprudência de alguns pilotos coloca em risco não apenas sua própria integridade, mas também a de motoristas, motociclistas e pedestres. Algumas situações beiram o absurdo, como o caso de um homem que foi filmado enterrando um patinete na areia. “Não é possível que isso aí seja sério”, desabafa o autor das imagens. Em contrapartida, o mesmo registro mostra um cidadão anônimo realizando o trabalho inverso: retirando os equipamentos de locais perigosos ou inadequados, como a areia da praia, e recolocando-os em áreas apropriadas.
A empresa reforça um apelo à conscientização. A continuidade do serviço, visto como benéfico para a cidade e para o turismo, depende da colaboração da população e do uso responsável. “Patinete, pessoal, é um avanço, é mobilidade, é algo bom pra cidade. Mas do jeito que tá sendo usado, vai virar problema, vira acidente, vira vergonha”, alerta o registro em vídeo que documentou os maus usos.
A situação coloca em evidência um desafio que vai além da tecnologia: a necessidade urgente de educação no uso do espaço público e do patrimônio coletivo. Enquanto atos de vandalismo e desrespeito persistirem, a promessa de uma mobilidade mais moderna e sustentável para Ilhéus seguirá, literalmente, atolada na areia.

