SUSPENSÃO DE IMPORTAÇÃO DE CACAU DA COSTA DO MARFIM ATENDE A PLEITO DE PRODUTORES BAIANOS

O Ministério da Agricultura suspendeu temporariamente, nesta terça-feira (24), as importações de amêndoas de cacau da Costa do Marfim após pressão de produtores e lideranças políticas da Bahia, entre eles o prefeito de Itabuna, Augusto Castro (PSD), que no mês passado participou de um protesto em frente ao Porto de Ilhéus contra a entrada do produto africano (relembre aqui).

A decisão, publicada no Diário Oficial da União, foi motivada por risco fitossanitário — a possível entrada de pragas e doenças inexistentes no Brasil por meio do cacau importado. A medida será mantida até que o governo da Costa do Marfim apresente garantias formais de que os envios ao Brasil não conterão cacau de países sem autorização sanitária.

Segundo o Ministério da Agricultura, há intenso fluxo de grãos de países vizinhos, como Gana, Guiné e Libéria, para a Costa do Marfim, o que pode resultar na mistura de amêndoas de diferentes origens antes da exportação, prática chamada de triangulação comercial. Libéria e Guiné não têm autorização para exportar cacau ao Brasil, o que eleva o risco de contaminação das cargas.

O protesto de cacauicultores no dia 28 de janeiro reuniu lideranças políticas da região sul da Bahia contra a importação de 10 mil toneladas de cacau africano por uma indústria de Ilhéus. Na ocasião, Augusto Castro criticou a flexibilização de barreiras fitossanitárias e defendeu políticas de valorização da produção regional, preço justo e mais assistência técnica ao produtor brasileiro.

O Brasil produz cerca de 80% do cacau que consome e importa os outros 20%. Em 2025, a produção nacional foi de 186,1 mil toneladas, ante importações de 42,2 mil toneladas — 81% delas originárias da Costa do Marfim, maior produtor mundial.

Com informações do G1