A Polícia Civil da Bahia indiciou três profissionais do Colégio Status, em Ilhéus pela morte de uma adolescente de 14 anos que tirou a própria vida em 2025. Foram indiciadas a diretora e proprietária Gildelina Reis, a coordenadora pedagógica Deborah Tavares e a psicóloga Silvania dos Santos.
As investigações apontaram que a adolescente teria sido submetida a um ambiente escolar hostil, com práticas recorrentes de bullying, constrangimento e discriminação. Foram registrados 49 depoimentos contra a instituição, com relatos de episódios de racismo, tratamento vexatório e sofrimento psicológico que teriam contribuído para o desfecho fatal.
A polícia considera a possibilidade de enquadramento dos fatos em crimes como indução, instigação ou auxílio ao suicídio contra menor, lesão corporal gravíssima e infrações previstas na Lei de Crimes Raciais, incluindo injúria racial e discriminação.
As investigações tiveram início após a mãe da vítima acessar as redes sociais da filha e encontrar áudios e cartas que revelavam depressão silenciosa causada por assédio sexual de um aluno de 17 anos dentro da escola. A adolescente teria sido ameaçada, humilhada publicamente e constrangida pela direção a pedir desculpas ao suposto agressor, que chegou a tentar agredi-la fisicamente em duas ocasiões.
A investigação também apurou relatos de que a psicóloga da instituição realizava atendimentos sem consentimento dos responsáveis e repassava informações obtidas às gestoras, que as utilizavam contra os alunos. Após tornar público os abusos sofridos pela filha, a mãe criou o perfil “Laços de Esperança” para alertar sobre depressão silenciosa e bullying. A iniciativa recebeu dezenas de relatos de ex-alunos e ex-funcionários sobre racismo, homofobia e violências praticadas no ambiente escolar.
A Polícia Civil informou que o inquérito segue em curso na 1ª Delegacia Territorial de Ilhéus, com diligências e oitivas em andamento. O caso será encaminhado ao Ministério Público para análise e possível denúncia criminal.
Com informações do BNews

