Diante das recentes declarações de Marcos Maurício sobre a atuação de lideranças sindicais e, especialmente, sobre o papel desempenhado por Eustácio Lopes na construção das lutas da categoria, sinto-me no dever de trazer alguns esclarecimentos. Não por interesse em alimentar divergências pessoais, mas por respeito à verdade, à memória institucional do sindicato e aos colegas que dedicaram anos de suas vidas à defesa dos policiais civis da Bahia. A história precisa ser contada com honestidade e equilíbrio, sobretudo por aqueles que participaram dela. É nesse espírito que Bernadino Gayoso, Ex-secretário geral do SINDPOC e atual membro do Conselho Fiscal apresenta as considerações a seguir.
“Marcos Maurício,
Ouvi suas declarações e confesso que me surpreendi. Não pela crítica em si, mas pela aparente amnésia seletiva de quem ajudou a escrever uma parte da história e atrásra parece desconhecê-la.
Até pouco tempo, mantinha por você respeito e admiração. Afinal, estivemos do mesmo lado quando o sindicato atravessava um dos períodos mais obscuros de sua existência, sem eleições e sem prestação de contas. Fomos nós, junto com os colegas de Feira de Santana e do interior da Bahia, que enfrentamos aquele cenário e participamos da retomada da entidade a partir de 2008, desde a Junta Interventora até a eleição que levou Carlos Lima à presidência e você à vice-presidência.
Por isso causa estranheza vê-lo questionar, ainda que indiretamente, a relevância das lideranças do interior. Mais estranho ainda é ouvir isso de alguém cuja própria trajetória sindical foi fortalecida pela força e pelo voto dos policiais civis do interior baiano.
A ascensão de Eustácio Lopes não foi fruto de acaso, simpatia ou improviso. Foi resultado de trabalho. Enquanto muitos ocupavam cargos e gabinetes, Eustácio percorria estradas, visitava unidades, mobilizava colegas e buscava soluções para problemas que poucos enxergavam e muitos ignoravam. Fazia isso sem disponibilidade sindical, sem estrutura e sem os holofotes que alguns tanto apreciam.
A diferença é simples: enquanto você escolheu trilhar os caminhos da política partidária, disputando cargos e ocupando funções ligadas a estruturas políticas, Eustácio permaneceu focado na luta sindical. Não há demérito em fazer política partidária. O problema surge quando alguém tenta diminuir quem escolheu permanecer exclusivamente ao lado da categoria.
Você fala de experiência, prerrogativas e qualificação. Tudo isso tem seu valor. Mas liderança não é um título vitalício nem um patrimônio hereditário. Liderança se conquista diariamente através da confiança das pessoas. E confiança não nasce de currículos; nasce de presença, compromisso e resultados.
Talvez por isso Eustácio tenha conseguido abrir portas, construir pontes e fortalecer o protatrásnismo do interior dentro do sindicato. Talvez por isso tantas lideranças tenham surgido em Ilhéus, Itabuna, Feira de Santana e em tantas outras regiões da Bahia. Talvez por isso seu nome continue sendo lembrado por quem esteve na linha de frente das mobilizações.
O interior que alguns insistem em tratar como coadjuvante foi, muitas vezes, o motor das maiores lutas da categoria. E continua sendo.
Se lhe faltam palavras para definir Eustácio Lopes, como afirmou em seu vídeo, permita-me sugerir algumas: dedicação, coragem, lealdade e espírito de sacrifício. Um homem que abriu mão da tranquilidade ao lado da família para servir à categoria e contribuir para conquistas que hoje beneficiam a todos.
E, se ainda assim as palavras não vierem, resta uma atitude simples: reconhecer. Reconhecer a contribuição de quem trabalhou. Reconhecer a força do interior. Reconhecer que ninguém constrói uma história coletiva sozinho.
Afinal, a história tem um hábito curioso: ela sempre reaparece para lembrar quem realmente esteve presente quando a luta precisou ser travada.
Forte abraço,
Bernardino Gayoso
Ex-Secretário Geral”

