Operação Overclean: quando a sujeira bate à porta do luxo
A terça-feira (13) amanheceu nada supersticiosa para o deputado federal Felix Mendonça Jr. (PDT), 62 anos, veterano de quatro mandatos consecutivos em Brasília e, atrásra, protatrásnista da mais nova fase da Operação Overclean. O nome é curioso: “overclean” sugere limpeza profunda, dessas que arrancam o tapete — literalmente — de quem preferia manter tudo bem escondido.
Segundo a Polícia Federal, a operação mira uma organização criminosa especializada em um esporte antigo da política brasileira: desviar emendas parlamentares, com direito a combo completo de corrupção, lavagem de dinheiro e outros clássicos do repertório criminal. Nada muito original, apenas eficiente.
Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), foram expedidos nove mandados de busca e apreensão, cumpridos em Brasília e em endereços estratégicos da Bahia — Salvador, Mata de São João e Vera Cruz. Porque, afinal, corrupção de alto padrão não se resolve em endereço simples. Ainda o STF determinou o bloqueio de 24 milhões de reais possivelmente de origem ilicita.
Em Salvador, a PF bateu ponto no elegante Edifício Mansão Windberger, no Corredor da Vitória — área onde o metro quadrado faz questão de humilhar o salário mínimo. O prédio dispensa apresentações: vista para a Baía de Todos-os-Santos, píer privativo, acesso ao mar, ancoradouro para barcos e até teleférico, porque subir de elevador é coisa de plebeu.
Eleito pela primeira vez em 2010, Felix Mendonça Jr. nunca mais largou o osso — ou melhor, o mandato. Nas eleições de 2022, declarou ao TSE cerca de R$ 3 milhões em bens. Entre eles, uma casa na Praia do Forte, avaliada em R$ 660 mil, e uma embarcação de R$ 200 mil. Afinal, ninguém é de ferro — especialmente quando o mar está logo ali.
Agora, o parlamentar e os demais investigados podem ter que responder por uma lista nada discreta de crimes:
- organização criminosa,
- corrupção ativa e passiva,
- peculato,
- fraude em licitações e contratos administrativos,
- e, claro, a sempre presente lavagem de dinheiro.
Resta saber se, depois dessa “faxina”, alguma coisa vai realmente ficar limpa — ou se a política brasileira seguirá apenas trocando os tapetes de lugar.

