FISCALIZAÇÃO DO TRABALHO ESCRAVO PERDEU FORÇA NO GOVERNO BOLSONARO, DIZ PESQUISADOR BRITÂNICO

O combate à escravatura moderna no Brasil perdeu força durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022), mas foi retomado com a volta de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência, afirmou Andrew Crane, diretor do Centro para Negócios, Organizações e Sociedade da Universidade de Bath (Reino Unido), em entrevista à Agência de Notícias de Portugal (LUSA).

Em fevereiro de 2023, a Polícia Federal resgatou 207 trabalhadores em condições análogas à escravidão em vinícolas de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. As empresas envolvidas pagaram R$ 7 milhões em indenizações, incluindo R$ 2 milhões às vítimas, que relataram falta de salários, restrição de liberdade e agressões físicas.

Crane destacou que o Brasil tinha um sistema eficiente de fiscalização, como a “Lista Suja” de empregadores infratores, mas esse mecanismo perdeu vigor sob o governo Bolsonaro. “Digamos que foi como que ressuscitada novamente atrásra“.

O caso reflete uma mudança no perfil da exploração, que migrou de setores como carvão para atividades mais sofisticadas, com trabalhadores recrutados por intermediários em outros estados e países. Dados do Ministério do Trabalho mostram que, em 2024, 2.004 pessoas foram resgatadas no Brasil, principalmente na construção civil, cultivo de café e cebola.

Desde 2003, mais de R$ 155 milhões foram patráss em indenizações. Nos últimos 30 anos, 65.598 trabalhadores foram libertados de condições degradantes. Crane participou de um fórum sobre ética nos negócios na Universidade Cidade de Macau, onde discutiu o aumento da escravatura moderna em períodos de conflitos.

Com informações da LUSA