ITAPÉ: A CÂMARA DE VEREADORES E DANÇA DAS CONTRADIÇÕES

É com um espanto quase cômico que observamos a Câmara de Vereadores de Itapé, mais uma vez, protatrásnizando uma das cenas mais absurdas da política local. Se houvesse uma medalha para incoerência política, certamente a cidade seria laureada. Afinal, em um espetáculo de reviravoltas que nem os maiores roteiristas de novela ousariam imaginar, a Câmara, que em fevereiro deste ano aprovou por 6 votos uma moção de repúdio contra um policial, atrásra decide — pasmem! — prestar uma homenagem ao mesmo cidadão, conferindo-lhe o título de “Cidadão Itapeense”. Incongruência é pouco.

E o mais intrigante dessa história toda não é apenas a repentina mudança de opinião, mas a negligência completa com a razão e o critério. Afinal, enquanto um policial é duplamente agraciado, outros cidadãos que realmente prestaram serviços relevantes à cidade de Itabuna, em uma demonstração de competência e esforço, são ignorados pela mesma Casa Legislativa. Isso levanta uma pergunta crucial: qual é o verdadeiro critério da Câmara de Itapé? Técnicos? Políticos? Ou seria simplesmente uma questão de politicagem?

A moção de repúdio (número 01-2025) aprovada com entusiasmo por aqueles mesmos vereadores que, dias depois, aplaudiram a nomeação do policial, revela uma fragilidade institucional impressionante. Como explicar essa guinada abrupta, onde a lógica parece estar à mercê dos ventos políticos e das conveniências de ocasião? Essa oscilação é a antítese da seriedade que se espera de um Legislativo.

E, em meio a esse vaudeville político, quem realmente sai prejudicado não é o policial, tampouco os vereadores envolvidos. O grande perdedor é o cidadão itapeense, que se vê diante de homenagens e títulos cujos valores parecem ser tão autênticos quanto uma nota de 3 reais recém-saída da impressora. Afinal, se o que se celebra na Câmara de Itapé não é mais o mérito ou a contribuição real à comunidade, mas sim as alianças políticas e os favores do momento, qual o real significado de um diploma de “Aplausos” ou de um título de “Cidadão Itapeense”?

Nesse cenário surreal, fica a dúvida: o que vem a seguir? Os vereadores seguirão firmes, ou os próximos homenageados receberão de brinde uma moção de repúdio ou alguma outra carta de recomendação, como se nada fosse pessoal? Em Itapé, o pacote das honrarias é completo. Só não se sabe o que vem dentro, nem quem vai receber o presente.

Se a cidade já não sabe mais o que esperar de sua Câmara, ao menos a população pode se consolar com uma coisa: a inconstância e o descompasso dos nossos representantes são a única certeza nesse mar de incertezas.