A comunidade de Ilhéus está de luto com o falecimento de Carmosina Mota de Souza Santos, a Mãe Carmosina, aos 108 anos. Líder espiritual, ela era uma das figuras mais respeitadas da Umbanda na Bahia e testemunha viva da história da cidade. Ela morava no bairro do Malhado, onde residia há décadas e onde mantinha seu terreiro, o Sultão das Matas.
Ela era conhecida não apenas por sua liderança espiritual, mas também por sua forte atuação comunitária e por sua memória vívida, que guardava a história da cidade e suas transformações ao longo do século. Nascida no povoado de Caldeirão, em Itaquara, e filha de indígenas, ela chegou a Ilhéus na década de 1950, após uma épica jornada a pé com a mãe.
Para sustentar a família, trabalhou como lavadeira para famílias tradicionais e depois como feirante, antes de abraçar definitivamente sua missão religiosa. Fundou o terreiro Sultão das Matas e se tornou uma peça central do sincretismo religioso local, mantendo diálogo tanto com terreiros de Candomblé quanto com a Igreja Católica.
Sua relevância social era reconhecida publicamente. Titulada Cidadã Ilheense, era presença constante em eventos cívicos e culturais, como a lavagem da Catedral de São Sebastião e os festejos de Iemanjá, sempre cercada por suas baianas. Sua trajetória deixa um legado de resistência, fé e integração comunitária.
Mãe Carmosina deixa mais de 100 descendentes e uma imensa família de santo, cujos membros estão espalhados por diversos estados do Brasil e até no exterior.

