Samuel Peçanha identificou o filho, Michel, de 14 anos, através de uma foto de um corpo sem vida nas redes sociais. O adolescente foi uma das 121 vítimas da operação policial no Complexo da Penha, considerada a mais letal da história do Brasil.
Michel era o filho caçula de Samuel, que o descreve como uma criança tranquila, que gostava de dançar e brincar dentro de casa. O pai, trabalhador de serviços gerais, conta que o filho morava com a mãe, mas havia se mudado para sua casa há três meses. Foi então que Samuel percebeu mudanças no comportamento do adolescente.
Ele descobriu que Michel havia abandonado a escola e encontrou em suas redes sociais fotos segurando armas. O pai relata que ficou assustado e, após confrontá-lo, o filho admitiu seu envolvimento com o Comando Vermelho. Michel defendia que era sua vontade estar no grupo e prometia dar orgulho ao pai, que tentava, em vão, convencê-lo a sair daquela vida.

Samuel acredita que a cultura da ostentação nas redes sociais, que mostra uma vida luxuosa e fácil, foi o que atraiu Michel. Ele tentou oferecer alternativas, mas a rotina de trabalho impossibilitava uma vigilância constante. O pai chegou a preparar um quarto novo para o filho, na tentativa de trazê-lo de volta.
Na semana da operação, Michel saiu de casa com uma mochila. No dia do confronto, Samuel ligou para o filho, que assegurou estar bem e prometeu voltar para casa no dia seguinte. Horas depois, o pai o identificou morto nas redes sociais.
Ao buscar o corpo no IML, Samuel optou por um enterro rápido. Ele evita criticar o Estado ou o tráfico e prefere deixar um conselho para outras famílias, enfatizando a importância da intimidade e do diálogo entre pais e filhos, e alertando os jovens sobre os perigos da ilusão com o crime.
Com informações da BBC Brasil

