Em meio à notícia da taxação imposta pelos EUA sobre produtos brasileiros, uma reação inesperada tomou conta de grupos e redes sociais: a euforia de parte da população. Não por acreditar em uma retaliação justa ou em uma estratégia econômica, mas simplesmente por ver no sofrimento alheio – e no próprio – um suposto “prejuízo ao governo”. A cena, que deveria ser de preocupação coletiva, transformou-se em celebração ideológica.
Um leitor do Blog O Divergente relatou sua surpresa ao ver pessoas antes admiradas por sua inteligência e grandeza despencarem em seu conceito ao vibrarem com decisões que prejudicam milhões de brasileiros. “Não é sobre Lula ou Bolsonaro, é sobre o Brasil. A polarização chegou a um nível tão tóxico que, para alguns, vale o ‘perco meu braço, mas Lula perde o pescoço’”.
Ele ressaltou que em vez de debaterem ideias, algumas pessoas travam uma guerra ideológica sem filtro, cujo objetivo não é convencer, mas esmagar o outro. Discussões se tornam tiroteios verbais, e qualquer tentativa de diálogo é interrompida por fanatismos. “Você abre a boca, mas não consegue concluir uma frase. O outro já entra em defesa como se estivesse em uma trincheira”, desabafou.
O leitor aproveitou o espaço para fazer um apelo à lucidez. “Estamos ficando velhos, mais chatos e mais seletivos – e talvez seja necessário”. Ele defende que o contraditório é saudável quando feito com inteligência, todavia repudia os “lacradores” e “falsos moralistas” que transformam o debate público em um campo de batalha. “O Brasil não é um governo, não é um partido. O Brasil somos nós”, finalizou.

