Um levantamento inédito da plataforma Bori-Overton, publicado no início de novembro, identificou 107 pesquisadores brasileiros entre os cientistas mais influentes do mundo na formulação de políticas públicas e tomadas de decisão. Desse total, quatro estão filiados a universidades baianas.
A maioria das pesquisas brasileiras citadas em documentos oficiais globais pertence à área de Ecossistemas e Uso da Terra, posicionando o país no centro do debate ambiental internacional. O dado ganha relevância num momento que aconteceu a COP30, conferência da ONU sobre mudanças climáticas, em Belém, no Pará.
Entre os nomes de destaque está Maurício Lima Barreto, um dos fundadores do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (Ufba), unidade de excelência reconhecida mundialmente. Barreto defende uma produção científica feita em colaboração direta com a sociedade. ”
A professora Blandina Felipe Viana, do Instituto de Biologia da Ufba, que teve seus trabalhos mencionados em pelo menos 250 documentos, vê o reconhecimento como um dever cumprido, mas ressalta. “É fruto de muitas parcerias, de trabalhos em rede, no respeito e na responsabilidade. Ninguém constrói nada sozinho”.
Apesar do reconhecimento internacional, a ciência nacional enfrenta obstáculos como a escassez de recursos, dificuldades de financiamento, sobrecarga de trabalho e um cenário de negacionismo.
O relatório também evidencia desigualdades estruturais. Há uma concentração de pesquisadores influentes em instituições do eixo sul-sudeste. Além disso, do total de 107 cientistas brasileiros listados, apenas 22 são mulheres.
A pesquisadora Juliana Hipólito, do Instituto Nacional da Mata Atlântica (Inma) e professora da Ufba, citada em mais de 200 documentos, relatou ter sido excluída de colaborações científicas após a maternidade. “Já fui excluída de convites para colaborações e trabalhos precisamente porque ‘tinha meu filho para cuidar’, como se a maternidade fosse incompatível com excelência científica”, confessou.
Blandina Viana também compartilha a percepção de que precisa se esforçar o dobro para ser levada a sério. “Percebo desigualdades sutis no reconhecimento e nas oportunidades”, observa a professora, que atua em uma área onde mais da metade dos cientistas são mulheres.
Com informações do Metro1

