A execução de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, em 1792, não silenciou os ideais da Inconfidência Mineira. Pelo contrário: menos de uma década depois, a Bahia se tornava palco de uma das rebeliões mais radicais do período colonial, diretamente inspirada pelo martírio do alferes.
Em 1798, Salvador foi tomada pela Conjuração Baiana, também conhecida como Revolta dos Alfaiates ou dos Búzios. Diferente do movimento mineiro, de caráter elitista, a revolta baiana teve forte participação popular, reunindo negros livres, escravizados, soldados e trabalhadores urbanos. As pautas iam além da separação de Portugal: propunham o fim da escravidão, igualdade racial e justiça social.
Não há provas de articulação direta entre as duas conspirações, mas historiadores afirmam que a Inconfidência serviu como referência simbólica. A morte de Tiradentes, esquartejado e exposto em praça pública, tornou-se um exemplo de resistência. A ideia de romper com a Coroa portuguesa já circulava entre os baianos, alimentada pela mesma insatisfação com impostos abusivos e controle metropolitano.
A repressão foi igualmente brutal. Quatro líderes baianos foram enforcados e esquartejados em Salvador. O legado, porém, permaneceu. As revoltas de Minas e Bahia não conquistaram a independência naquele momento, mas plantaram sementes que germinariam em 1822 — e, na Bahia, especialmente em 2 de julho de 1823, quando o estado consolidou sua adesão à libertação do país. Tiradentes, hoje patrono cívico do Brasil, ecoa na tradição baiana de luta popular que ousou sonhar com um país mais justo.
Com informações do Bahia.ba

