OTTO ALENCAR É COTADO PARA OCUPAR MINISTÉRIO, MAS ALIADOS PREFEREM MANTÊ-LO NO SENADO

O senador Otto Alencar (PSD-BA) tornou-se o nome mais cotado para assumir a Secretaria de Relações Institucionais no lugar da ministra Gleisi Hoffmann, mas aliados do governo avaliam nos bastidores que sua saída da presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) pode ser mais prejudicial do que vantajosa para o governo.

Embora o parlamentar reúna qualidades valorizadas pelo Palácio do Planalto — trânsito no Centrão, experiência política e boa relação com as duas Casas —, a articulação interna sinaliza que mantê-lo no Senado é considerado estratégico. A CCJ, comandada por Otto, tornou-se um ponto de equilíbrio para o governo na análise de matérias sensíveis e indicações. Além disso, a interlocução com a Câmara dos Deputados é apontada como o principal desafio no momento, já que no Senado Lula conta com relação direta com o presidente Davi Alcolumbre, além do senador Jaques Wagner (PT-BA).

Até então, o favorito para a vaga era Olavo Noleto, secretário-executivo do Conselhão, mas seu nome perdeu força por falta de capilaridade política e por não ter entusiasmado lideranças do Legislativo. Diante disso, o nome de Otto passou a ser o mais ventilado, embora setores do governo trabalhem nos bastidores por uma solução caseira que preserve a atual configuração no Senado e foque na articulação com os deputados, onde a base é mais fragmentada.